A expectativa do paciente possui peso especial
Procedimentos predominantemente estéticos normalmente partem de uma decisão eletiva e de uma expectativa concreta de melhora. Isso torna especialmente sensíveis a comunicação pré-operatória, a publicidade, a documentação das limitações e a gestão de expectativas.
Promessa de resultado aumenta o risco
Expressões absolutas, simulações apresentadas como garantia e publicidade que sugira perfeição podem ser utilizadas posteriormente como elemento probatório. O médico deve distinguir projeção técnica, expectativa razoável e promessa contratual.
Fotografias devem ter finalidade e tratamento jurídico adequados
Imagens pré e pós-procedimento podem possuir valor clínico e probatório, mas envolvem dados pessoais sensíveis e imagem do paciente. Seu uso assistencial é diferente de sua utilização publicitária. A publicidade médica atualmente é disciplinada pela Resolução CFM nº 2.336/2023 e pelo Manual de Publicidade Médica.
Consentimento deve abordar particularidades estéticas
Assimetria, cicatrização, necessidade eventual de revisão, limitações anatômicas e fatores individuais podem ser relevantes. Informações genéricas não substituem discussão adequada ao procedimento e ao paciente concreto.
Intercorrência não deve ser confundida com abandono
A forma como o profissional acompanha complicações e responde às queixas integra a avaliação jurídica. Registro das orientações, retornos, propostas terapêuticas e eventuais encaminhamentos pode ser decisivo.
Segurança jurídica começa na primeira consulta
O melhor instrumento de prevenção é alinhar indicação médica, expectativa realista, informação documentada e acompanhamento. O contrato e o termo de consentimento devem refletir esse processo, não substituí-lo.
Referências oficiais
- Resolução CFM nº 2.336/2023 – publicidade e propaganda médicas.
- Resolução CFM nº 2.217/2018 – Código de Ética Médica.
- https://publicidademedica.cfm.org.br/resolucao/o-que-muda
Cioccari Advocacia — Direito Médico e da Saúde.
Nota: conteúdo informativo, elaborado com base nas fontes indicadas. A solução jurídica depende da análise individual do caso, do contrato, dos documentos médicos e das normas vigentes na data da ocorrência.
Sobre o autor
Laurício Antonio Cioccari é advogado (OAB/SP 188508), à frente do Cioccari Advocacia, em Ribeirão Preto/SP, com atuação em Direito Médico e da Saúde, Direito Educacional, Direito Imobiliário, Direito Civil e do Consumidor, Empresarial e Contratos. É mestre em Educação e coordena curso de pós-graduação em Direito Médico. Atua na assessoria jurídica de médicos, clínicas e instituições de saúde em responsabilidade civil, consentimento informado, prontuário, processos ético-profissionais, proteção de dados e conflitos com operadoras de planos de saúde.
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